quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Sobre Miltão - o samba atravessado


Não assisti, mas fiquei sabendo que o Presidente da Liga das Escolas de Samba de Cabo Frio, Sr. Miltão, fez críticas a mim – mais especificamente ao texto que publiquei no jornal Folha dos Lagos em 28 de janeiro deste ano – em um programa televisivo veiculado em tv local ontem à noite. Não vi, de fato, o ocorrido, mas desde já, caso tenha sido a informação verídica, sinto-me no dever de responder e esclarecer:

1) Sou um apaixonado pelo carnaval, especialmente de Cabo Frio. Considero algumas pessoas que fazem parte da linha de frente do carnaval da cidade – seja pela Liga, Secretaria de Cultura ou agremiações – figuras de caráter notável, como é o caso do próprio Miltão, Chopinho, Felício, Bebeto Lima, José Corrêia, Rogério, João Gomes e tantos outros.

2) Acredito no carnaval de Cabo Frio, na sua evolução e na sua elevação como um dos melhores carnavais do estado do Rio de Janeiro.

3) Entretanto, não posso fugir à realidade dos fatos: considero sim que o sistema de distribuição de verba pública do carnaval deve ser revisto, não para diminuir repasses, mas, ao contrário, como é bem claro no meu texto, ampliar a verba das agremiações que demonstram trabalho, inserção da comunidade e produção de eventos ao longo do ano, penalizando, com retenção e diminuição de verba, as que apenas vivem de esperar a subvenção, sem transformar o dinheiro público em capital de giro, o que considero que ele deva ser – e falo isso para blocos e escolas igualmente.

4) Considero sim a Morada do Samba ainda um elefante branco, embora tenha tudo para se tornar o que pretende ser – e reconheço, no próprio texto, os esforços da administração em fazer do espaço o que se sonha dele. Confirmo sim que o turismo da cidade ainda vem em busca dos blocos e não das escolas – é uma constatação evidente nas ruas, ainda que os esforços sejam no sentido de alterar esse quadro. Finalmente, reforço meu entendimento de que o carnaval não deve ser totalmente financiado pelo poder público nem exclusivamente pela parceria privada, mas que o poder público deve fomentar a busca pelo incentivo empresarial, integrando as duas fontes de renda, como defendo claramente no texto.

5) Defender mudanças e tecer críticas não significa querer ser melhor do que ninguém, muito menos desgostar do carnaval da cidade – ao contrário, é por uma preocupação com nosso avanço nessa área que tecemos nossos comentários. O texto é claramente propositivo e crítico de forma construtiva, a não ser que se queira ler de outra forma. Aí é outro enredo...

À disposição para qualquer esclarecimento.

0 comentários: