Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 07 de janeiro de 2012.
Repercutiu na cidade a entrevista do Prefeito Marquinho Mendes acerca do quadro político para 2012. Na ocasião, Marquinho, salientou que Dr. Mansur Froilan Moraes e Silas Bento não serão candidatos à Prefeitura. Afirmou que, fosse hoje a eleição, Alair seria o Prefeito e que gostaria de juntar Janio e Alfredo Gonçalves para derrotar Alair.
A análise não é surpreendente. Prova disso é que, até o fechamento desse texto, apenas Dr. Mansur se manifestou contra as declarações de Marquinho. Em todos os anos de eleições municipais em Cabo Frio, são lançadas várias candidaturas ao Executivo nesse período do ano – algumas sérias, outras com o objetivo de ventilar o próprio nome para outro cargo, seja coordenando campanha majoritária ou pleiteando o Legislativo.
A ideia de Alair Prefeito hoje é também evidente, já que o ex-Prefeito, ex-Deputado e ex-Vereador é primeiro colocado nas pesquisas atuais como era em 2008, nesse mesmo período, quando, ao final, foi derrotado. Marquinho não descobriu a pólvora – em um momento de indefinição política, quem tem eleitorado fixo sempre fica em primeiro. O problema é que esse fixo alcançou um teto que não cresce, devendo estacionar nos 30% ou 35%. Levando-se em conta o índice de rejeição e o histórico das eleições cabofrienses, evidentemente polarizadas, é fácil concluir que o candidato que encarnar o papel do anti-Alair vencerá o pleito, como ocorreu em 2008.
Levando em conta essa matemática e conhecendo as pesquisas, é claro que Marquinho desejaria juntar seu pré-candidato governista, isto é, Alfredo Gonçalves, à candidatura do Deputado Estadual Janio Mendes, por um dos seguintes motivos: ou Marquinho quer ganhar a eleição de Alair, e para isso precisa reduzir o número de possíveis candidatos a anti-Alair, favorecendo o mais forte nas pesquisas; ou Marquinho quer “queimar” as candidaturas que possam derrubar Alair, abrindo caminho para ele, que seria seu candidato “in pectore”, já que, como sabemos, brigas políticas não destroem o desejo de manutenção do poder econômico, ao menos no caso de alguns desses senhores.
A possível pressão exercida pelo Governo do Estado, que, na figura do Governador, já se manifestou claramente favorável à candidatura de Janio, também pode ter pesado nas contas do Prefeito – contas eleitorais, que fique claro.
O fato é que querer nem sempre é poder. Transformar a intenção desesperada do Prefeito em acordo é tornar sua fala uma hipérbole. Por outro lado, a fala de Marquinho se aproxima muito mais de um desejo desesperado de fazer parte de um ônibus que já tem motorista do que trazer um cobrador para sua lata velha coletiva. Jogar a toalha e preferir o menos pior para si mesmo é diferente de submeter adversários.
Como em 2008, a eleição começa a se polarizar, portando dois lados bem claros, com a diferença que, em 2012, esses lados parecem muito mais opostos. Sem dúvida, o abismo que separa Janio de Alair é bem maior do que o que distancia este de Marquinho – neste caso, um mero dique, pronto a romper a qualquer momento. Aproxima-se a hora de definir um lado da disputa, ao invés de escolher uma das faces de uma mesma moeda
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