
Hoje é dia. É dia de oferecer pacotes menos brilhosos e coloridos e mais recheados de carinhos, mimos e sorrisos. É hoje o dia. Dia de viagens sem programação e de ficar dormindo na casa da liberdade de escolha do que não fazer. É hoje, é o dia: festejos intensamente reclusos, comemorações pudicas e lembretes discretos ao sol.
Hoje é o dia de suspensão das atividades críticas, de descanso das análises políticas e de desarme das muretas de contenção diariamente acionadas com o simples primeiro passo em direção à rua. Hoje em dia, é dia de baixar a guarda e expor aos ventos um peito sem proteções – coletes ou protetores solares não caibam aqui. Hoje, ê dia, dia de folga das defesas eficientemente cansadas que se escondem atrás de postes finos e transparentes.
O dia é hoje, e é dia hoje em dia de um dia no qual a noite não chegue e permaneça constante pelas horas, ficando a lua em resguardo solar. O dia de hoje é de ser considerado como último possível para que as mão se entrelacem, os lábios se toquem com giros que a geometria não explica e as amadas sejam protegidas como se um colo e um abraço fossem as fortalezas mais intransponíveis de um além que não existe lá, mas que se fortalece aqui.
Hoje é dia. É dia dela. É dia de lembrar a luz que nasceu, cujos raios persistem a habitar esse mundo meu, no qual o escurecer é palco diário e insólito. Hoje é dia, e poderia ser qualquer outro, e poderia ser todo dia – e deveria sê-lo. E se a consciência, a razão e o mérito denotam o erro de não consagrar todos os dias aos dias dela, que ao menos a loucura insana do tempo e a razão bêbada da história permitam que o hoje seja um universo cheio dela, para que esse nosso planeta de nós dois tenha anéis congelados e luas sem santos – porque neste céu de sol azul que brilha por si, me basta ser a águia que contempla a estrela e sabe que pode tocá-la.
Parabéns pelo seu sempre dia. Te amo.
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