
Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 28 de janeiro de 2012.
Repetindo o título de artigo que publiquei em fevereiro de 2010 – tríade plagiada da mais famosa obra do antropólogo Roberto Da Matta – percebo que nada muda muito no carnaval da cidade. O rito momesco local possui estes e outros personagens, que surgem das trevas e se preparam para as cinzas, sempre nesse período de subvenções.
Todos os anos em Cabo Frio é a mesma coisa nessa época: espanto da sociedade com os recursos empregados no carnaval – cerca de um milhão e meio de reais – e espanto das agremiações (mais especificamente dos Blocos) com a “pouca” quantia recebida para uma demanda tão grande de preparativos, estruturas e participantes.
Discordo completamente da tese de autosustentabilidade integral do carnaval, como discordo totalmente da tese de financiamento completo da festa municipal de momo pelo poder público. É preciso que a Prefeitura seja parceira de um evento que movimenta a cidade – turistas e moradores – já que ela mesma lucra com isso.
É necessário, porém, haver critério na divisão e repasse das verbas. Em primeiro lugar, é impossível fugir da necessidade de uma meritocracia mínima na gestão do carnaval – Blocos carnavalescos que promovem eventos, realizam trabalhos sociais, envolvem a comunidade, divulgam a cidade, bem como prestam contas das ações realizadas ao longo do ano (e não só do desfile) deveriam receber pontuações que lhes garantiriam mais ou menos verbas.
A parceria com a iniciativa privada, por sua vez, também deveria ser estimulada pelo poder público local, numa ação de mão dupla: incentivos fiscais para as empresas parceiras na cidade e pontuação maior para as agremiações que conseguirem mais parcerias, o que faria com que as entidades carnavalescas “ganhassem duas vezes”: da iniciativa pública e da privada – sem piada de duplo sentido.
Assim, os bons gestores do carnaval seriam premiados e os maus estariam fadados não só ao insucesso mas também à falência. Seguindo o procedimento bíblico, aquele que faz o dinheiro do patrão render – e render em favor do poder público – será recompensado, mas o que esconde seus talentos debaixo da terra será penalizado.
Não há dúvida, ainda, que a quantia destinada especificamente às Escolas é alta, mal fiscalizada e não tem se justificado na avenida. Sob a pretensão de nos tornarmos o segundo maior carnaval do estado do Rio – ainda que Campos e cidades da Região Serrana estejam anos-luz à nossa frente – criamos uma estrutura de gastos que cada vez aumenta mais. Temos um elefante branco chamado Morada do Samba (que, apesar de esforços, ainda não se transformou num espaço permanente de produção e fomento cultural) mas não temos um grande carnaval, até porque a demanda turística da cidade vem em busca dos Blocos, não das Escolas. Fosse feito um trabalho turístico focado no direcionamento de grupos turísticos para o desfile, poderíamos ter resolvido 30% do problema.
E assim vamos nós, tentando fazer do samba o grito do povo, o berro que julga o juiz, o eco da voz de quem fala, pisando na avenida até nossas pernas não poderem mais aguentar, em meio a poucos carnavais, muitos maus malandros e quase nenhum herói.
Repetindo o título de artigo que publiquei em fevereiro de 2010 – tríade plagiada da mais famosa obra do antropólogo Roberto Da Matta – percebo que nada muda muito no carnaval da cidade. O rito momesco local possui estes e outros personagens, que surgem das trevas e se preparam para as cinzas, sempre nesse período de subvenções.
Todos os anos em Cabo Frio é a mesma coisa nessa época: espanto da sociedade com os recursos empregados no carnaval – cerca de um milhão e meio de reais – e espanto das agremiações (mais especificamente dos Blocos) com a “pouca” quantia recebida para uma demanda tão grande de preparativos, estruturas e participantes.
Discordo completamente da tese de autosustentabilidade integral do carnaval, como discordo totalmente da tese de financiamento completo da festa municipal de momo pelo poder público. É preciso que a Prefeitura seja parceira de um evento que movimenta a cidade – turistas e moradores – já que ela mesma lucra com isso.
É necessário, porém, haver critério na divisão e repasse das verbas. Em primeiro lugar, é impossível fugir da necessidade de uma meritocracia mínima na gestão do carnaval – Blocos carnavalescos que promovem eventos, realizam trabalhos sociais, envolvem a comunidade, divulgam a cidade, bem como prestam contas das ações realizadas ao longo do ano (e não só do desfile) deveriam receber pontuações que lhes garantiriam mais ou menos verbas.
A parceria com a iniciativa privada, por sua vez, também deveria ser estimulada pelo poder público local, numa ação de mão dupla: incentivos fiscais para as empresas parceiras na cidade e pontuação maior para as agremiações que conseguirem mais parcerias, o que faria com que as entidades carnavalescas “ganhassem duas vezes”: da iniciativa pública e da privada – sem piada de duplo sentido.
Assim, os bons gestores do carnaval seriam premiados e os maus estariam fadados não só ao insucesso mas também à falência. Seguindo o procedimento bíblico, aquele que faz o dinheiro do patrão render – e render em favor do poder público – será recompensado, mas o que esconde seus talentos debaixo da terra será penalizado.
Não há dúvida, ainda, que a quantia destinada especificamente às Escolas é alta, mal fiscalizada e não tem se justificado na avenida. Sob a pretensão de nos tornarmos o segundo maior carnaval do estado do Rio – ainda que Campos e cidades da Região Serrana estejam anos-luz à nossa frente – criamos uma estrutura de gastos que cada vez aumenta mais. Temos um elefante branco chamado Morada do Samba (que, apesar de esforços, ainda não se transformou num espaço permanente de produção e fomento cultural) mas não temos um grande carnaval, até porque a demanda turística da cidade vem em busca dos Blocos, não das Escolas. Fosse feito um trabalho turístico focado no direcionamento de grupos turísticos para o desfile, poderíamos ter resolvido 30% do problema.
E assim vamos nós, tentando fazer do samba o grito do povo, o berro que julga o juiz, o eco da voz de quem fala, pisando na avenida até nossas pernas não poderem mais aguentar, em meio a poucos carnavais, muitos maus malandros e quase nenhum herói.
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